segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Tony Variations, Renatus Cartesius, Mr. Zen e el Rey Jesus (sim, um texto)

António Variações era o género de pessoa mundialmente conhecida por "tem o pisca-pisca fundido" ou "se fosse ciclista andava de monociclo" ou até "tens um cabelo muito giro em cima desse pescoço enorme", mas de parvo pouco ou nada tinha. Por isso quando ele puxava pelas suas muito singulares cordas vocais para cantar "só estou bem onde eu não estou... só quero ir onde não vou", fazia mais pelo entendimento universal da carcomida e complexa personalidade humana do que René Descartes (ou no seu nome latinizado, mais em modo "Astérix e Obélix"... Renatus Cartesisus) quando tentava facturar gajas sussurrando-lhes ao tímpano "penso logo existo". Para provar que o "Tony Variations" tinha razão quando afirmava que o ser humano é um eterno descontente, bastaria ver o caso de um trabalhador que passa a vida a pedir para estar doente e poder meter baixa e depois quando isso acontece está o dia todo na cama a gritar "mnhnhnhnhnhnh", que se não fosse a trombose na boca, quereria dizer "fodasse quero ir bulir". Em compensação, tivesse o francês nascido na nobre Lusitânia, pátria da melhor filosofia de rua e saberia perfeitamente que "a pensar morreu burro". 

Não sei a relação de nenhuma das personagens acima mencionadas relativamente ao futebol. Se no caso do "inventor da matemática moderna" fico inclinado a pensar que algures naquela cabecinha pensadora algo vibrava pelo SLB, derivado de o seu nome próprio também constar no bilhete de identidade paraguaio de Óscar René Cardozo Marín, algo me diz que um tipo que se vestia de comprimido deveria ter um fraquinho pelos nossos rivais lagartos... sem confusões homofóbicas ou de outro género... apenas sou tentado a pensar que um sistema digestivo que tanto Rennie ingere, mais tarde ou mais cedo em comprimido se torna. De qualquer forma, também neste universo especifico das biqueiradas sobre a planície vegetal, o filósofo musical volta a deixar para trás o sr. Cartesius, especialmente quando se olha para as turbas insanas onde ninguém perde tempo de vida a pensar para existir, mas para quem tudo está mal, mesmo que esteja como se quer, porque sejamos sinceros... quem teve a ideia de fazer os lugares para os espectadores se sentarem em betão duro, frio e desconfortável... e quem foi o idiota que se lembrou de lhes meter cadeiras confortáveis mas sem mística?

É neste flácido limbo, nesta corda bamba de pastilha elástica que todos nós adeptos nos movemos. Como uma unha que se não é roída arranha a perna da donzela que acariciamos, mas se o dente a apara, arde quando se come camarão. Felizmente não há melhor sabor do que o que se sente quando se ultrapassa os obstáculos e neste momento sou um tipo praticamente ao nível de um "tragam a cerveja e os amendoins porque estou mesmo bestialmente bem aqui onde estou". Porque a minha tola futebolística matuta sempre em torno da teoria de que uma vitória por 3-2 é bestial por incluir 3 golos marcados mas uma merda alagartada por o adversário ter bisado. Sou gajo mais numa base de "foscasse 1-0 é bom porque não sofremos golos e até conseguimos marcar 1 a esta equipa feroz... do Reguengos de Monsaraz". É um cliché tremendo recorrer sempre ao "Mr. Zen" nestas questões, mas sintetizar tudo a um "ataque ganha jogos, defesa ganha campeonatos" não pode ser totalmente descabido e o SLB de um momento para o outro adoptou-o como mestre inspirador, tal qual Da Vinci adoptou a outra balofa rica como musa da sua obra prima. Mais do que içar a bandeira dos "5 jogos com o Artur a seco... Bitches", toda a minha paz de espírito vem do "dos 15 jogos disputados só em 6 deles houve festa alheia... Motherfuckers". E nem vale a pena discutir deméritos, pernetismos ou karadismos alheios. Prefiro pensar que por uma vez Descartes ganhou ao excêntrico português e obrigou Jesus a colocar no topo do seu caderno de apontamentos "defendo logo ganho". Só espero que tenha sido com tinta da china e não com tinta chinesa.

2 comentários:

Fake Blood disse...

Cuspi-me todo. Genial.
*Vénia*

Constantino disse...

Fake,

Para provocar nojeira é que cá estamos. E um dia todos vão ser como nós, bedumentos de gosma até às unhas dos pés e nesse momento a eterna felicidade irá nos trespassar a todos como uma descarga eléctrica de uma taser gun...

Abraço.