terça-feira, 24 de julho de 2012

A César o que é de Aimar

Nos promiscuos tempos prévios aos Idos de Março, a placidez comportamental era um tipo de fungo que dizia-se, não afectava o astral da esposa de César, sempre com a disposição "em altas" para a rebaldaria palaciana, para grande infelicidade do suserano. Estudos modernos negam a teoria de que a boazona da Pompéia, (pelo menos na opinião do Clódio, por muito que ele só estivesse habituado a por-lhes os mirones em cima na escuridão da noite nos mal iluminados palácios imperiais) fosse uma bardajona carolinesca, mas da fama felizmente nunca se livrou...


Por sua vez, o seu marido Júlio César era um homem de uma austeridade espartana. Quando não estava a dar chapadões aos germanos estava a comer bitoques de vaca sentado nos cadáveres de gauleses (como é que este homem não é o herói nacional de Portugal?) e sendo de inteligência extrema... atenção, o extremo oposto ao joão pereira... disse coisas famosas cujo eco chegou até aos dias de hoje, como por exemplo o "cheguei vi e venci" que é contemporaneamente contraposto por um "cheguei, vi e perdi" dito em voz alta por um Cantatore ou um Del Neri; foi César que disse em último suspiro "também tu Brutos" que ecoa ainda hoje na boca de fernando santos num pouco carismático "também tu Benfica" aludindo ao momento em que fez o pleno de despedimentos nos 2 grandes e no Enorme; por último foi César que proferiu o sábio "porque é que este eunuco ainda tem pila?" que como todos sabemos foi mais ou menos uma das questões que jacinto paixão colocou ao telefone com reinaldo teles "porque é que este prostituto que me mandaste não tem pila?".


Foi contudo o chamativo "à mulher de César não lhe basta ser séria, também tem que o parecer" que trouxe este casal até a este blog hoje e não foi pela aplicabilidade da frase ao pontapé na bola nacional, num verdadeiro "aos corruptos não lhes basta serem desonestos, também gostam de parece-lo". O que os liga ao Benfica é o facto de também o nosso César ser pouco admirador de pãndegas e forrobodós da sua mais que tudo a bola, sem que isso implique uma menor eficácia das suas funções. O problema de Bruno é o mesmo de César, aprecia mais passar dias no campo de batalha com os seus colegas do que a acariciar a miúda.


Para sua infelicidade, quase ironia do desatino, veio desterrado para um país que tem como imagem de marca o brinca-da-areismo chapitoanês, a suprema negação do desporto enquanto ocupação competitiva e resultadista. Por cá a mentalidade dos jogadores é formada para a exploração da jogada individual. Bruno César raramente aposta no um para um, excepto se considerarmos os tempos de pré época em que cada presunto seu equivale ao peso de um Miccoli e durante os quais alguém mais mal intencionado pode pensar estar a ver dois benfiquistas a disputarem a bola entre eles. Talvez por ser pouco dado ao drible e também porque colocar aquele corpinho em velocidade cruzeiro é a mesma coisa que tentar fazer atravessar um camião betoneira num cruzamento a subir, Bruno César desenrascou a extremo mas nunca foi extremo, apenas tendo sido vitima da predilecta ocupação de Jesus, adaptar jogadores a posições para as quais eles não estão nada talhados, com a agravante de vitor pereira ter subido o nível do desafio para um "maicon-lateral-direito", algo que dentro do plantel só poderá ser batido por um "Aimar-guarda-redes" ou "Djaló-jogador-de-futebol" (o nível de dificuldade é semelhante).


Chegado à sua segunda temporada na Europa, o brasileiro mais parecido com Zidane, especialmente na careca na nuca, enfrenta a dificil tarefa de "explodir" ou "regredir", que é como quem diz "Di Mariar" ou "Gaitanar". Para seu azar (e ele parece ser perseguido pelo raio do anjo da morte) o seu futuro não depende apenas de si. Neste momento deverá depender mais do que Jesus quererá fazer dele nesta época do que naquilo que ele pretende fazer desta época. Fundamentalmente, o futuro de Bruno César passa por pagar muitos cafézinhos ao Aimar durante longas palestras com o Mago, abandonar as extremas e assumir a batuta do jogo benfiquista, oferecendo desta forma um merecido descanso a Pablito. Isso ou pedir para sair para o campeonato Alemão para se tornar ídolo num local onde circo e futebol são actividades praticadas em recintos separados.

2 comentários:

Anónimo disse...

"Djaló-jogador-de-futebol" ahahahah Realmente, acho que essa é a situação mais difícil de concretizar.

B Cool disse...

campeonato alemão com ele